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COLUNISTAS
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23/02/2021 - 06:05

A árdua vida de carteiro

Reflexão sobre a profissão de carteiro
 
Nos dias atuais, principalmente após o encerramento da última greve dos empregados dos Correios, no dia 22 de setembro de 2020, quando recebemos diversas críticas sobre a motivação da greve e a pouca qualidade e eficiência da prestação do serviço de entrega de cartas e encomendas por parte da sociedade e políticos desejando a privatização dos Correios, que todos sabem é uma das promessas do atual presidente do Brasil, sempre nos depa ramos com situações diárias um tanto lamentáveis, exploratórias, alienistas e inusitadas...

 Já não bastasse a trama e politicagem desde os tempos de FHC para justificar a privatização dos Correios, outras estatais e a eterna lembrança do famoso esquema do mensalão. Então surgiu o fim da parceria da empresa dos Correios com a Azul, em 2017. Uma possibilidade real de a empresa ter sua própria frota de aviões, depois de mais de 357 anos de existência, colocar um fim nas suas próprias necessidade e, se duvidar, até de usar avi&o tilde;es da própria concorrência em momentos difíceis que passou, para não ficar no prejuízo e dependência desse importante e ágil meio de transporte aéreo.

Chega ao conhecimento da sociedade que o mercado livre cria método de entrega (mercado envios) e exclui a parceria com os Correios. Algo que gerava uma demanda bastante expressiva em volume de mercadorias e receita também E, claro, um corre-corre danado para que a equipe de carteiros a pé e motorizado desse conta do recado, no intuito de conseguir garantir a satisfação dos milhares de destinatários e clientes, devido a diminuição gradativa do quadro operacional por m otivos de aposentadoria, PDV´s e PDI´s (com acordo para pagamento mensal em folha de 8 e 6 anos e meio, um verdadeiro empréstimo interno que só aumenta o passivo sempre divulgado), falecimento, entre outros.

Aumentando proporcionalmente o número de terceirizados em várias áreas, como motoristas de caminhão, van´s, agências franqueadas, serviços de entrega de livros, serviços internos e externos: quantidade nunca divulgado nos lugares dos empregados ativos que saem da empresa. E com um imenso exército de cidadãos desempregados e estudando para o concurso público dos Correios que nunca sai.

Certamente que a greve dos empregados gerou expectativas e um crescimento gigantesco nas start-ups e plataformas, de modo a oferecer mais opções para a sociedade e os clientes, incentivado pela greve em plena pandemia, o fechamento de lojas e shopping´s em todo o país, e a paralisação parcial das entregas, o foco de todas.
 No início da pandemia, o mesmo presidente que desejava ver concretizada a privatização dos Correios, na verdade se pudesse faria a sua extinção com a demissão em massa de todos os seus empregados que não se aposentaram como ele e seus mais de 11 mil militares aposentados a serviço da nação nas estatais e empresas públicas.

Claramente, mais por uma visão estratégica de proteção pessoal e perseguição política aos empregados, como se todos fossem farinha do mesmo saco, ou petista, ou esquerdista, como costumam se referir  aos empregados, decretou e reconheceu que a empresa Correios (a galinha dos ovos de ouro de todos os governos) não poderia parar na pandemia, por ser a mesma reconhecida empresa prestadora de seus serviços essenciais para a sociedade brasileira em nível nacional, para a universalização, integração e sobrevivência de milhares de pessoas no País. Principalmente nesses infelizes tempos cruciais e surreais de perdas de milhares de vidas brasileiras, inclusive de empregados da própria empresa. Lamentavelmente.

A expansão e criação das “parcerias para a entrega das mercadorias, remédios e exames” trouxe situações da rotina de um carteiro que muitos desconheciam. Apenas achavam muito bonito ver o carteiro passando nas ruas e entregando as cartinhas ou encomendas com aquele marketing de realmente impressionar e fazer com que o cidadão quisesse entrar para a gigantesca equipe postal dos Correios, através de concurso público.

Tínhamos uma ideia, tendo em vista a chegada ao País do aplicativo UBER, depois o 99 e outras opções que aparecem, todas com o cidadão utilizando seus veículos próprios, financiados ou alugados, para realizar os trabalhos. E recebendo pelos serviços seus três, quatro, ou mais reais que até agora nunca foi e talvez nem  será regulamentado. Todo custo de manutenção, combustível, multas e acidentes de trânsito saem do seu próprio bolso.  Oremos para que nunca aconteça, pois quem vive de aluguel que o diga.

E mais uma vez o ser humano é pra lá de explorado, sem contar os riscos constantes de assaltos, sequestros e mortes a serviço dos donos e investidores dos aplicativos, sem vínculo empregatício e direito algum. Mas somente a obrigação com sua anuência, por questão de sobrevivência, vida ou morte, aceita tal situação por muitas vezes degradante e humilhante para a dignidade do ser humano.

De vez em quando o mercado livre, a Total Express e outras empresas, quando não conseguem dar conta da demanda, enviam as mercadorias e postam nos Correios. E como já estão bastante atrasadas, na hora da entrega sobra novamente para os ouvidos dos carteiros dos Correios. Mas essa aí não foi falha nossa não...

E quando os amigos concorrentes estão perdidos por conta da desatualização dos logradouros, ainda damos uma força.  Diz o manual da empresa que precisamos tratar com respeito e cortesia a concorrência. Devido a experiência, os empregados são, certamente, uma inestimável e reconhecida mão de obra qualificada.

Muitos têm vivenciado as diversas dores de cabeça quando você realiza entregas em residências de numerações repetidas várias vezes no mesmo logradouro, com ausência de informação da quadra, ou com as mudanças que a prefeitura realizou ao ampliar ruas, causando a duplicidade de números residenciais, dois CEP´s distintos no mesmo logradouro. Facilitando que alguém use de má-fé e se apodere da mercadoria ou produto ao d izer que tal pessoa reside no endereço. Olha o perigo!? E se não conseguirmos recuperar as mercadorias, já sabe pra quem vai sobrar... Existem relatos de pessoas que trabalham com entregas avulsas que já tiveram de desembolsar o valor de uma TV, cujo recebedor disse não ter recebido. Como diz a lei, o ônus da prova cabe a quem...?

Ou seja, somos essenciais quando convém para o governo. Que a todo vapor corre para entregar, extinguir.  Ou melhor: se livrar de uma das maiores e melhores empresas essenciais para o Estado Brasileiro, há mais de 357 anos de existência.

Não existe a necessidade de privatizar os Correios e sim de fortalecer as instituições públicas. Todo mundo vai poder criar e vender selos postais? Vão assegurar o sigilo da inviolabilidade da correspondência com a terceirização, extinção, ou a privatização, com funcionários explorados e insatisfeitos? Você já viu alguma atividade social da FEDEX, da DHL, JADLOG, da Amazon e de outras e mpresas realizando algo parecido com o famoso “Papai Noel dos Correios no Natal no Brasil”?

As pessoas devem praticar aquilo para qual prestaram concurso e foram contratadas: servir, ter responsabilidade, compromisso, disciplina, condições dignas e humanas para trabalhar e atender aos anseios da sociedade brasileira e clientes fidedignos, que reconhecem a importância da empresa, não para partidos políticos ou mesmo um presidente sem partido, ou mesmo a uma não disfarçada intervenção ditatorial militar “eleito democraticamente pela maioria do pov o insatisfeito com a gestão dos governos anteriores”. Sendo valorizadas, bem remuneradas e motivadas a continuar fazendo o seu melhor para o crescimento do país. E não o contrário.

A quebra do monopólio vai gerar problemas, mas pode ser importante para fomentar e dar oportunidades para que as empresas façam sua escolha e melhores opções para o envio e recebimento de suas cartas, cobranças e telegramas, cartões de crédito, cartões postais, etc. Sem correrem o risco de serem punidas. E certamente vai representar perda de receita, sobrecarga de serviços, a diminuição de quantidade significativa de demanda postal nos Correios e , com isso, demissão.

Os Correios certamente poderiam ser definitivamente transformados em Correios S/A, já que a própria ex-presidenta Dilma sancionou e deu esse grande passo de grego para o que estamos passando hoje, infelizmente. Com ações e participações de seus próprios empregados na bolsa de valores, bem como a sociedade brasileira através de IPO. Tendo sempre a transparência e responsabilidade com o objetivo de garantir a universalização e excelência na pr estação do serviço e os empregos de muitos que ainda estão longe de sua tão sonhada e distante aposentadoria, caso optem em querer continuar até o (P...) na b...

O governo e a cúpula da empresa ainda não divulgaram o balanço financeiro atual arrecadado em 2020, mas sabem que, em julho, novamente termina o acordo coletivo atual definido pelo TST. Ou seja, se não houver acordo... a trama para denegrir a imagem dos carteiros e a importância dos serviços prestados à sociedade brasileira pelos Correios ainda público, infelizmente pode se repetir.

Porque o salve-se quem puder já está acontecendo, a frustração e o desânimo com o futuro incerto, é de entristecer e desmotivar... Só mesmo a tentativa de garantir o sustento de nossas famílias para nos motivar a continuar nessa luta e legado...
 
Edclei Estevam de Vasconcelos (Faísca).
 
 
 

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