Manaus, 23 de Agosto de 2026

Amazonino compra ideia de Arthur para dar isen??o do IPVA ?s empresas de ?nibus. E aos usu?rios? Nada!

Na ?ltima semana boa parte dos parlamentares manifestou-se favor?vel ? proposta de isen??o sugerida pelo prefeito Arthur Neto (PSDB) e encampada pelo governador Amazonino Mendes.

Política | 24/12/2017 - 19:00
Foto: Montagem

Amazonino Mendes e Arthur Neto

Por Warnoldo Maia de Freitas
 
As empresas de ônibus que operam em Manaus poderão ganhar na terça-feira, 26, mais um presente de Natal, desta vez, do governo Amazonino Mendes (PDT), e ficar sem pagar o IPVA dos veículos por pelo menos quatro anos, sem a garantia efetiva de proporcionar melhores serviços à população.
 
Quer dizer, o chamado “governo do amor quer dar mais incentivos às empresas de ônibus e aos usuários nada”, porque, muitas delas, de acordo com as notícias veiculadas na imprensa, com base na apreensão de vários coletivos irregulares, não pagam o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) há vários anos e nem por isso o serviço apresentou qualquer melhora.
 
Na última semana boa parte dos parlamentares manifestou-se na Assembleia Legislativa do Estado (ALEAM), duante a votação do projeto, favorável à proposta de isenção sugerida pelo prefeito Arthur Neto (PSDB) e encampada pelo governador Amazonino Mendes.
 
O presidente da Casa, David Almeida, apontou a necessidade de se discutir melhor a proposta e defendeu a extensão do benefício as micro e pequenas empresas que operam o transporte executivo e o alternativo, enquanto Alessandra Campelo (PMDB), por meio de emenda verbal, propós inserir na lei a garantia da extensão desse benefício.  
 
Alguns defenderam a redução do prazo de dez para quatros, mas ninguém ousou posicionar-se contra o discurso oficial, segundo o qual dar mais benefícios às empresas é imprescindível para barretear o custo da tarifa.
 
Sem correr risco
 
Por que? Porque praticamente ninguém quer correr o risco nessa "pegadinha de Amazonino e Arthur" de ser apontado pelo governador e prefeito como o ou os responsáveis pela manutenção do preço da tarifa elevada sem a isenção do IPVA.
 
O líder da base do governo na Assembleia, Dermilson Chagas (PEN), sintetizou o discurso, a ideologia oficial, destacando que “votar contra a isenção era votar contra os alunos e milhares de pais de família”.
 
Mas, ninguém mostrou empenho semelhante para apurar, por exemplo, o chamado “escândalo do diesel”, por meio do qual, de acordo com denúncias feitas na ALEAM e veiculadas pela imprensa, algumas empresas de ônibus andaram comprando diesel com isenção do ICMS e repassando o produto para outros canais consumidores, auferindo lucros consideráveis com a manobra.
 
Quer dizer, “esses erros registrados no consumo” até hoje ainda não foram esclarecidos e permanece no ar a pergunta: quem ganhou com tal iniciativa? Certamente não foi o usuário do transporte coletivo.
 
Vale lembrar, ainda, que as empresas que operam o sistema de transporte coletivo ganharam mais de R$ 105,9 milhões de isenção do ICMS incidente sobre o óleo diesel no período de 2014 a 2015, além de mais de R$ 10 milhões, entre 2014 e 2015, da remissão na cobrança do IPVA, mas, apesar de todo esse subsidio a passagem de ônibus ficou mais cara e a qualidade do serviço piorou.
 
Quem garante que, após a aprovação da isenção do IPVA por pelo menos quatro anos as empresas de ônibus vão repassar o subsidio ao preço da passagem e reduzir a tarifa?
 
Pelo que tudo indica trata-se de mais um engodo, porque as empresas de transporte coletivo que operam em Manaus vivem reclamando da inviabilidade do negócio.
 
Mas, apesar de toda a lamúria apresentada, nenhuma delas pede para sair do ramo e tal fato constitui-se em algo inusitado no mundo empresarial, porque ninguém mantém ou permanece em um negócio que só dá prejuízo. 
 
Arthur deu a ideia
 
A ideia de conceder a isenção do IPVA às empresas de ônibus por dez anos foi vendida pelo prefeito de Manaus, Arthur Neto (PSDB), e Amazonino comprou, “para retribuir o apoio fervoroso que recebeu do tucano na eleição suplementar de agosto deste ano”.
 
Mas, os fatos recentes deixam claro que não se pode confiar, plenamente, na boa vontade do prefeito, particularmente quando o assunto em pauta é o preço da passagem de ônibus.
 
Muita gente ainda lembra da apresentação teatral, digna das melhores telenovelas da Globo, feita pelo Arthur antes de conseguir a sua reeleição para a Prefeitura de Manaus.
 
Ele foi às ruas “defender de forma magistral” a manutenção do preço da tarifa, peitando a decisão do Tribunal de Justiça, favorável ao pedido das empresas, e discutindo com humildes cobradores de ônibus, que estavam apenas cumprindo as ordens dos seus patrões.
 
Disse, para quem quis ouvir, que não aceitaria o aumento da tarifa, porque quem decidia sobre o assunto era a Prefeitura de Manaus e que estavam acostumados a fazer aquele tipo de coisa com outros prefeitos, mas com ele o negócio era diferente e que sua briga era pelo povo de Manaus.
 
De forma arrojada, Arthur entrou em coletivos da cidade para arrancar, com as próprias mãos, os cartazes colocados pelo Sinetran informando o reajuste e o novo preço da tarifa.
 
Mas, após garantir a reeleição, Arthur serenou e acabou cedendo às pressões dos donos das empresas de ônibus. Com isso o usuário, mais uma vez, foi obrigado a pagar uma tarifa considerada cara para um serviço de qualidade questionável, com ônibus cada dia mais velhos, que comprometem, também, a precária mobilidade urbana da cidade.
 
Sem sustentação
 
Tomando por base os fatos recentes registrados na história da cidade pode-se afirmar, sem medo, que o argumento apresentado pelo prefeito e pelo líder da base do governo Amazonino na Assembleia, de que  “as empresas precisam da isenção por dez anos, porque sempre planejam para o longo prazo” não se sustenta.
 
O discurso apresentado para justificar a concessão de nova isenção às empresas é o mesmo e faz questão de reafirmar uma velha máxima: tudo é feito em benefício do povo.
 
Diante de todos esses fatos só nos resta lembrar neste período de Natal os DESEJOS de  Drummond e desejar “a esperança renovada”, desejar “muitos desejos e desejos grandes”, entre eles muita iluminação sobre os nossos parlamentares para  que eles defendam, realmente, os interesses da população.
 
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