Saída de Moro representa ínicio do retrocesso? Só o tempo dirá
Warnoldo Maia de Freitas
Deixando de lado outros fatos pretéritos importantes, os últimos acontecimentos, as últimas ocorrências, os últimos episódios da novela brasileira "A agonia nossa de cada dia" levam a crer que, gradativamente, o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), está sendo engolido pelo SISTEMA e já dá sinais claros de que em breve a sua conduta será semelhante a dos seus antecessores.
Um dos fatos sintomáticos desta mudança de conduta de Bolsonaro diz respeito ao fato de que diversas vezes ele afirmou, de forma veemente, que não iria negociar com o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM), para assegurar a sustentação necessária do seu governo no Congresso, dando a entender que Maia e o seu grupo estaria manobrando para envolvê-lo em negociatas, em ações não republicanas.
Mas, depois de muita pressão, segundo a mídia nacional, o presidente já dá sinais de mudança e vem negociando cargos nos diversos escalões do governo com as lideranças do Congresso, num sinal claro de volta para o passado, contrariando o recado das urnas, que soou alto e claro, indicando o anseio da maioria da população brasileira de ver o Brasil colocado de volta no trilho do futuro e do desenvolvimento, livre das amarras da corrupção.
Outro sinal preocupante e que nos faz visitar o passado diz respeito à eliminação do exercício, a exoneração, a retirada de Maurício Leite Valeixo do cargo de diretor-geral da Polícia Federal, porque, segundo informa a grande imprensa, ele não estava alinhado com o pensamento de Jair Bolsonaro, que estaria preocupado com a possibilidade de ver preso o seu filho Carlos Bolsonaro, o vereador carioca que seria o principal responsavel pelo gabinete do ódio da família, após ter sido identificado pela PF como o responsável pelas fakes news desferidas contra o Supremo Tribunal Federal (STF).
Ao exonerar Maurício Valeixo do cargo, Jair bateu de frente com o principal ministro do seu governo, Sérgio Moro, um dos responsáveis pelas operações bem sucedidas colocadas em prática nos últimos anos para combater a famigerada corrupção sistémica registrada no Brasil, que pediu para sair do governo por não concordar com a interferência política na Polícia Federal.
Apesar de a pandemia provodada pelo Covid 19 monopolizar as atenções dos brasileiros, porque o inimigo de todos é invisivel, e pode atacar em qualquer lugar e a qualquer hora, grande parte da sociedade brasileira também acompanha de perto as ações do presidente da República, Jair Bolsonado, uns querendo que ele quebre a cara - sem ter a consciência de que se o barco chamado Brasil afundar, todos seremos severamente prejudicados -, e outros torcendo para que o chefe da Nação acerte nas suas ações, para o bem de todos os brasileiros, independentemente das suas opções políticas, religiosas e sexuais.
O Brasil precisa avançar e deve consultar o passado apenas para resgatar as boas experiências, principalmente aquelas consideradas indispensáveis à perfeita pavimentação do caminho para o futuro. O resto é puro retrocesso.
A saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça representa o início do retrocesso, a efetiva volta para o passado obscuro? Só o tempo dirá.