Manaus, 09 de Fevereiro de 2026

Plínio cobra reação contra Gilmar em defesa do parlamento

O senador amazonense fez questão de ressaltar que os senadores querem paz, mas, "se o Gilmar Mendes quer guerra, o Senado tem que topar a parada".

Política | 03/12/2025 - 16:30
Foto: Reprodução

Plínio lembra que os 835 mil eleitores do Amazonas não o mandaram ao Senado para ser comandado por Gilmar Mendes

Com plenário perplexo e revoltado com decisão do ministro Gilmar Mendes de blindar os ministros da corte,  com uma canetada tirar do Senado e dos cidadãos brasileiros o poder para propor impeachment dos magistrados, o senador Plínio Valério (PDDB/AM)) cobrou de Davi Alcolumbre uma reação em defesa do Parlamento.

O senador amazonense fez questão de ressaltar que os senadores querem paz, mas, "se o Gilmar Mendes quer guerra, o Senado tem que topar a parada.

"O Gilmar Mendes quer guerra. Então, a gente tem que, em determinada hora, topar a guerra, porque, se a gente fugir da nossa responsabilidade, estamos sendo covardes".

Perplexos

Revolta e perplexidade tomaram  conta do plenário do Senado nesta quarta-feira, 03/12, e o  senador Plínio Valério (PSDB-AM), em discurso contundente, se somou aos colegas cobrando reação do presidente Davi Alcolumbre a guerra declarada pelo  ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que, em decisão monocrática,  tirou a atribuição constitucional  do Senado e transferiu exclusivamente á Procuradoria Geral da União o poder de abrir processo impeachment contra os integrantes da Corte.

A decisão de Gilmar de autoproteção foi comparada á chamada PEC da blindagem que previa a manutenção das prerrogativas parlamentares diante de investidas do STF ,  tão duramente repelida pela sociedade e derrotada na Casa. 

"Eu falei que nós queremos paz. O Gilmar Mendes quer guerra. Então, a gente tem que, em determinada hora, topar a guerra, porque, se a gente fugir da nossa responsabilidade, estamos sendo covardes", reafirmou. O país precisa e quer paz, pedindo anistia. Mas o ministro Gilmar Mendes está oferecendo a guerra, e a gente tem que aceitar essa oferta de guerra, revolta
mas em nome da população brasileira! Aqui eu represento a população", destacou Plínio, afirmando seus 835 mil eleitores do Amazonas não o  mandaram ao Senado para ser comandado por Gilmar Mendes.

Plínio pediu que Davi tire da gaveta um dos 31 pedidos de impeachment já protocolados na Casa como reação a essa guerra contra o Parlamento, chamando a decisão de Gilmar de esdrúxula  e “ mais ousada” até que os graves abusos praticados pelo ministro Alexandre de Moraes. Plínio lembrou que desde 2019 vem alertando para a  necessidade de reação á escalada autoritária do Judiciário sobre o Congresso e o povo brasileiro.

"O Senado tem o dever ético, moral, humanitário, seja lá qualquer coisa, tem o dever moral de reagir como instituição . Em março de 2021 eu já dizia: "Presidente Rodrigo, as grandes tempestades só acontecem porque nós seres humanos ignoramos os sinais de que ela vem". E quais são os sinais? Não estamos levando a sério o pedido de impeachment de Alexandre de Moraes com 3 milhões de assinaturas. Não estamos levando em consideração o grito que ecoa, que emana da população. Ninguém está ouvindo - ninguém está ouvindo. "A tempestade perfeita, Presidente, vai vir". E ela veio. Cassaram um Deputado Federal, acabaram com o mandato de um Senador, praticamente, invadiram o seu gabinete, e a gente foi deixando isso acontecer  _ relembrou Plínio.

A Lei do Impeachment diz que compete privativamente ao Senado Federal  processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade. E cita cinco requisitos que podem embasar esses pedidos de afastamento.

"Eles  estão enquadrados em todos aqueles cinco incisos, todos os ministros, com exceção dos que entraram agora, porque sempre estão atuando em casos em que têm interesse ou em que a esposa tem interesse ou o filho. Só aí já era, mas eles cometem muitos outros pecados que poderiam ser enquadrados . Os argumentos desses detratores, diga-se de passagem, deram-se sempre em benefício próprio", afirmou Plínio.

Em um desabafo, Plínio disse que hoje é dia de o Senado mostrar quem manda no seu destino, provando que, dos três Poderes, é o único que representa o povo e que pode, em nome do povo, fazer o que deve ser feito, por exemplo, colocando em andamento um dos 31  pedidos de impeachment engavetados.

"Se o Senado não reagir como deve reagir hoje, eu não pretendo mais ocupar esta tribuna e pediria perdão aos eleitores do Amazonas, porque eu não teria ânimo para estar sendo comandado por um Ministro que não tem feito o seu papel. É difícil, é vergonhoso e, acima de tudo, seria humilhante. Como eu não aceito essa humilhação, se o Senado não tomar nenhuma decisão, eu não pretendo ficar ocupando mais esta tribuna e - quem sabe? - também não pugnarei a reeleição. Se o Senado tomar alguma posição hoje, oficial - Constituição -, aí lá estaremos nós de novo para travar essa guerra, topar essa guerra contra os maus Ministros do Supremo Tribunal Federal", desabafou Plinio.
 
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