Homem de confian?a de ex-governadores como Gilberto, Amazonino, Braga e Omar, Melo sabe muito mais do que muitos gostariam que ele soubesse
Homem de confiança de ex-governadores como Gilberto, Amazonino, Braga e Omar, Melo sabe muito mais do que muitos gostariam que ele soubesse
Por Warnoldo Maia de Freitas
A prisão do ex-governador do Amazonas, José Melo (PROS), na quinta-feira, 21, pela Polícia Federal, na operação “Estado de Emergência”, que apura denúncias de corrupção na área da saúde, caiu como uma bomba no meio político amazonense e acabou com a paz desse período natalino, porque “se o mau velhinho” resolver falar tudo o que sabe, pode enterrar a carreira de muitos profissionais do voto e o sonho de velhos parceiros.
Nas rodas de conversas de bares e cafés da cidade o assunto dominante é a capacidade de resistência do ex-governador ao abandono e ao descaso dos “amigos” e uma pergunta desponta entre as demais: Melo vai falar ou vai assumir sozinho a culpa pelos desmandos e atos nada republicanos praticados durante o seu governo?
Homem de confiança de ex-governadores como Gilberto Mestrinho, Amazonino Mendes, Eduardo Braga e Omar Aziz, o ex-governador cassado por compra de votos no pleito de 2014, sabe muito mais do que muitos gostariam que ele soubesse e pode, dominado pela depressão, não suportar a pressão e “abrir o verbo” em uma delação premiada para livrar a própria pele.
Há quem diga que José Melo, aos 71 anos, tem, agora, a oportunidade de contar tudo o que ele sabe – o que não é pouco, porque vem lá bem de trás e sabe de tudo, porque participou de tudo – e entrar para a história do Amazonas como o homem que se redimiu dos seus atos e ajudou a passar a limpo a política local e a combater a corrupção reinante.
Capacidade de perdoar
Há quem garanta, também, que José Melo poderá, simplesmente, deixar tido como dantes no quartel de Abrantes, porque tem uma grande capacidade de perdoar e saber demais pode ser sua principal arma.
Para ilustrar o argumento destacam que após a conhecida “pernada” que levou do Amazonino e do Omar, na eleição de 2002, ele ficou muito triste, mas além de não se queixar, continuou a idolatrar Amazonino.
Também não teve problema em aceitar, por exemplo, ser secretário de governo de Eduardo Braga, em 2003, e passou a ser o terceiro homem no comando do Estado, atrás apenas de Braga e Omar.
Esqueceu que foi defenestrado no dia da convenção que oficializou a chapa Braga e Omar, “abençoada” por Amazonino e que o fez perder a chance de ser vice-governador.
Depois, correu e ainda conseguiu registrar sua candidatura a deputado estadual. Foi eleito, tomou posse e poucos dias depois renunciou ao mandato para ser secretário de Braga.
Mais tarde foi vice de Omar, por vontade de Braga, porque Aziz não o queria na sua chapa, segundo aliados da época. Mas, Braga bateu o pé e Omar acabou concordando.
Braga acreditava que colocando Melo, um homem da sua confiança, no calcanhar de Omar poderia controlar melhor o governo e mais tarde retornar ao comando do Executivo estadual.
Mas, assim como a parcela do eleitorado que acreditou nele e lhe assegurou o comando do estado, Braga também foi enganado, porque Melo tinha um desejo oculto: ser governador.
Mas, ao chegar ao comando do Estado e realizar o seu velho sonho, Melo acabou metendo os pés pelas mãos e vai entrar para a história como o pior governador do Amazonas.
Resta esperar para ver se José Melo vai querer pagar essa conta sozinho ou vai levar para o caixão outros companheiros, envolvidos, também, em ações nada republicanas.
Perfil
O ex-governador José Melo é natural de Ipixuna, onde nasceu no dia 26 de setembro de 1946, e chega aos 71 anos consagrando-se como o primeiro chefe do Executivo do Amazonas a ser cassado por compra de votos e preso, sob suspeita de participação de um esquema crimonoso que desviou mais de R$ 110 milhões da área da saúde.
O professor, como é chamado pelos amigos, ou “Zé Merenda”, pelos desafetos, numa referência às “tramóias que teriam sido realizadas por ele no período em que comandou a Seduc, na compra de merenda escolar” e participipado de ações não republicanas, é formado em Economia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM).
De acordo com algumas pessoas, por ter larga experiência como datilógrafo, por ter exercido a função no início da sua carreira na Ufam, José Melo não terá dificuldades em redigir uma carta denunciando seus velhos parceiros, porque conhece muito bem o chamado “caminho das pedras”.
Melo também exerceu a profissão de professor no Ginásio Estadual Estelita Tapajós, onde lecionou História e lecionou na antiga Escola Técnica Federal do Amazonas. Já sua atuação como professor na Universidade do Amazonas deu-se entre 1970 e 1984.
Ele também ocupou o cargo de delegado do Ministério da Educação e Cultura entre 1984 e 1987. No período de 1989 a 1991 foi secretário de Educação e Cultura do Estado do Amazonas.
Ocupou também o posto de secretário Municipal de Educação de Manaus, de 1993 a 1994.
Em 1995 voltou a assumir a Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Desportos do Amazonas.
Também administrou o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Amazonas (Idam) e a Secretaria de Estado de Coordenação do Interior (Seint).
Elegeu-se deputado federal em 1994, tendo sido reeleito em 1998. Em 2002, foi eleito deputado estadual, ainda pelo PFL.
Durante dois anos, entre 2005 e 2006, assumiu a presidência da Sociedade de Navegação Portos e Hidrovias do Amazonas (SNPH). Após deixar a presidência da SNPH, assumiu a Secretaria de Governo do Amazonas (Segov), até 2010.
Nas eleições no Amazonas em 2010, filiado ao PMDB, elegeu-se vice-governador do estado do Amazonas, na chapa encabeçada por Omar Aziz.
Assumiu o cargo de governador do Amazonas pelo PROS, quando Omar Aziz foi disputar o Senado nas eleições de 2014. Candidatou-se à reeleição, vencendo no segundo turno.
No dia 25 de janeiro de 2016, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas cassou os mandatos do governador e do vice-governador, pela denúncia de compra de votos ocorrida nas eleições de 2014.[1]
Em 28 de março de 2016, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas decidiu manter Melo como governador temporariamente.[2]
Em 4 de maio de 2017, o Tribunal Superior Eleitoral cassou a chapa Melo/Henrique por 5 votos pela condenação a 2 votos pela absolvição.
Em 21 de dezembro de 2017 José Melo de Oliveira foi preso pela policia federal , prisão temporária em um sitio localizado no município de Rio Preto da Eva.