No Amazonas, os R$ 50 milhões foram autorizados por um presidente que havia assumido o posto 28 dias antes e que era ex-contador de campanha do governador Wilson Lima.
Da redação
Em 10/09/2026
Reportagem dos colunistas do UOL Cézar Feitoza, Fábio Serapião e Natália Portinari, divulgada nesta quinta-feira, 10/09, informa, com base em uma proposta de delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ainda não aceita pela Polícia Federal nem pela PGR, que os dirigentes do União Brasil - ACM Neto e Antônio Rueda - teriam atuado para viabilizar investimentos de institutos de previdência estaduais no Banco Master em troca de uma comissão equivalente a 10% dos valores aplicados.
Segundo a reportagem, ACM Neto e Rueda teriam aberto portas para o Master em fundos de previdência do Rio de Janeiro, Amapá e AMAZONAS, Além da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae).
De acordo com a proposta de delação de Vorcaro, a partir dessa atuação, o banco teria captado cerca de R$ 2 bilhões, o que representaria uma suposta obrigação de R$ 200 milhões em vantagens indevidas.
A investigação sobre os dois políticos veio à tona após o ministro Alexandre de Moraes divulgar um relatório da PF que cita a suposta demora do ministro André Mendonça em autorizar uma operação contra Rueda.
ACM Neto e Antônio Rueda negam irregularidades e dizem que as acusações são falsas.
No caso de Rueda, Vorcaro afirmou que parte dos valores teria sido repassada em dinheiro por empresas ou pessoas ligadas a Augusto Lima e Freixo. Ele também citou contratos entre empresas do conglomerado Master e o escritório Rueda & Rueda Advogados.
Segundo o ex-banqueiro, esses contratos teriam movimentado cerca de R$ 3 milhões por mês.
Vorcaro afirmou ainda que os pagamentos eram tão recorrentes que o Banco Master mantinha uma espécie de “conta corrente” para registrar valores que, segundo ele, seriam devidos aos grupos políticos.
A proposta também cita mensagens trocadas entre os envolvidos e encontros na sede do Banco Master. Em uma delas, de novembro de 2023, Rueda teria marcado uma reunião com Vorcaro. Há ainda uma mensagem em que o ex-banqueiro pergunta sobre um helicóptero para ACM Neto e Rueda.
Rombo de 50 milhões no Amazonas
No Amazonas, os R$ 50 milhões foram autorizados por um presidente que havia assumido o posto 28 dias antes e que era ex-contador de campanha do governador Wilson Lima.
No Amapá, o investimento de R$ 400 milhões no Master foi aprovado por um comitê presidido por Jocildo Silva Lemos, ex-tesoureiro de campanha de Davi Alcolumbre e indicado para o cargo pelo senador.
Valores não coincidem com registros financeiros
Apesar das acusações, há diferenças entre os valores relatados por Vorcaro e os registros financeiros citados na reportagem.
Dados do Coaf e quebras de sigilo bancário e fiscal apontaram pagamentos de aproximadamente R$ 6,4 milhões, entre 2022 e 2025, a escritórios ligados a Rueda. A empresa de consultoria de ACM Neto teria recebido cerca de R$ 5,4 milhões entre 2023 e 2025.
Os valores são inferiores aos montantes que poderiam resultar das comissões descritas por Vorcaro.
A proposta de delação também não apresenta os valores efetivamente pagos aos dois políticos e não esclarece a diferença entre os R$ 2 bilhões citados pelo ex-banqueiro e os R$ 3,62 bilhões de investimentos mencionados na própria documentação.
Delação foi rejeitada
As acusações fazem parte de uma proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro. Segundo o UOL, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República rejeitaram as propostas por considerarem que não havia informações inéditas suficientes e por falta de garantias para a devolução de valores relacionados às fraudes investigadas.
O ex-banqueiro tenta reabrir as negociações para uma colaboração premiada.
O conteúdo da proposta veio a público em meio às investigações envolvendo o Banco Master e à divulgação, pelo ministro Alexandre de Moraes, do relatório de inteligência da Polícia Federal que mencionava uma suposta demora do ministro André Mendonça para autorizar uma operação contra Rueda.
Mendonça afirmou que a divulgação do documento prejudicou a investigação que envolvia os políticos.